Maternidade

Licença-maternidade

Mulher segurando bebê no colo

São braços que empurram o carrinho pelo mundo afora. São tardes solitárias. São madrugadas que parecem não ter fim. É o eterno balançar para lá e para cá. É olhar para o teto, é olhar para as paredes, é pensar e pensar e pensar.

É segurar o bebê no colo. É ninar o bebê no colo, é comer com o bebê no colo, é andar pela casa com o bebê no colo. É segurar o bebê com um braço enquanto você tenta garantir a sua sobrevivência com o outro. É dor nas costas e dor nos braços.

É não dormir, é dormir pouco, é dormir picado, é querer mais do que tudo simplesmente conseguir deitar e dormir sem que nada nem ninguém te acorde. É deitar sem saber que horas vai acordar e acordar sem saber que horas vai conseguir dormir de novo.

É ficar de camisola de manhã. Às vezes até a tarde. Às vezes até a noite. É fazer pequenos planos para quando o bebê tirar a soneca do dia. É não conseguir fazer nada pois o bebê só quer tirar a soneca do dia se for no seu colo.

É um eterno intercalar de mamá, troca de fraldas e tentativa de fazer dormir. E no interlúdio de tudo isso tentar preparar a comida, comer, tomar banho, arrumar a casa, lavar roupinhas e esterilizar chupetas.

É esquecer que dia da semana é hoje, é esquecer a panela no fogo, é esquecer o restante da frase, é esquecer a blusa aberta na rua.

É chorar escondido no banho. É estar na melhor companhia do mundo e às vezes se sentir assustadoramente só.

É amamentar com o celular na mão, é fazer dele a janelinha por onde você espreita o mundo. E, pasme, ele ainda está lá. É participar de novos grupos de WhatsApp, é ver que muitas passam pelo mesmo que você.

É fazer caras e bocas para tentar arrancar um sorriso, é querer registrar para sempre na memória aquele lindo sorriso desdentado. É conhecer o melhor som do mundo: o som da risada do seu bebê.

É tirar milhares de fotos, encher o celular de vídeos, é ter a ânsia de registrar cada pequena expressão fofa, é não querer esquecer nada. É ver e rever e rever as fotos daquele serzinho.

É a constante contradição de desejar que o tempo passe logo nas fases difíceis e que o tempo passe mais devagar pois seu bebê está crescendo rápido demais.

É questionar valores, é questionar o futuro, é viver tanto em função dos quereres desse novo ser que você mesma já não sabe bem o que quer. É a negação de si mesmo em prol de outro alguém.

É um medo que às vezes bate à porta sem avisar. É a tristeza que não se explica. São as lágrimas fáceis que em um segundo aparecem, rolam e encharcam. É cansaço misturado com gratidão.

Maternidade

Assim como você

img_6497

Assim como você, quero sugar cada segundo desse momento. Eu não quero perder um só sorriso seu, mesmo aqueles de canto de boca depois de mamar. Quero sentir seu corpinho recostado no meu peito, entregue, reconhecendo seu ninho.

Quero retribuir seu olhar tão puro e tão atento. Quero ser o melhor lugar do mundo para você, e ver seus olhinhos revirando de satisfação quando encontram o seu alimento no meu peito.

Quero apreciar sua expressão tranquila, de olhinhos fechados, em um sono gostoso que deixa escapar uma risadinha hora ou outra, e me perguntar com o que você estaria sonhando.

Assim como você, às vezes tenho medo. Também choro quando estou cansada, ou quando preciso de colo, ou quando me sinto só, ou até mesmo sem motivo aparente.

Quero te dar a mão, e sentir você segurando meu dedinho com sua mãozinha apertada, recebendo meu apoio. Quero que você saiba que eu sempre estou aqui.

Assim como você, também estou aprendendo, descobrindo novas sensações a cada dia, entrando em sintonia com este novo mundo. É tão maravilhoso quanto assustador, eu sei. É a vida acontecendo. E será sempre assim.

Maternidade

Tudo vapor

girl-2934257_1280

– “Abre um pouco mais a perna. Assim.”

Por que eu tinha que abrir mais a perna? Algo estava estranho. Esperei aquele som acelerado inundar a sala, mas não veio. Será que o som da máquina estava desligado?

Eu tentava decifrar a expressão da médica, que examinava com atenção a tela, certamente pensando em uma forma delicada e profissional de me dar a notícia que eu não esperava ouvir. Após intermináveis segundos, a verdade veio como um soco: “Não tem mais coraçãozinho batendo”. Não tem mais coraçãozinho batendo. Aquela frase me atingiu com força e imediatamente as lágrimas vieram aos meus olhos.

Não sei descrever o que senti. Foi como querer tocar uma nuvem e ao chegar perto ver que é tudo vapor. Como a criança que segurou em falso o balão e o viu subir até desaparecer no céu. Como um vento que passou e levou a carta para longe, antes que fosse lida. Como um sonho que escorreu por entre os dedos antes que pudesse se tornar realidade.

Meus olhos encontraram os dele e, como se fosse possível, tentaram se consolar mutuamente enquanto nossos sentimentos se esfolavam ladeira abaixo. Me abandonei naquele abraço desejando com todas as minhas forças acordar daquele cruel pesadelo, ofegante e aliviada na minha cama em uma madrugada qualquer. Ao invés disso, voltei para casa e chorei todas as lágrimas que pude produzir.

Sangue, sangue e mais sangue. Hospital, internação, comprimidos, medicamentos. Tento levantar, tudo preto, não consigo, volto pra cama. Minha mãe, meu pai, eu tô bem, vou ficar bem. Quis pedir desculpas mas não encontrei coragem nem motivos. Sala de cirurgia, sedação. Fim.

Três dias depois, volto ao trabalho como quem volta de uma virose. Direto para uma viagem devido a um evento importante do setor. Porque a Convenção não mudou de data só porque sofri uma perda. Assim como as pessoas não ficaram mais gentis só porque estou sofrendo. Na verdade, ninguém nem imagina que eu estou sofrendo. Ninguém nem olha direito para mim. O que, neste momento, é até bom.

O trabalho não deu uma trégua, pelo contrário, os e-mails se acumularam e tudo está atrasado. Eu quero chorar, quero deitar um pouco, quero contar para alguém. Mas não há tempo pra isso, nem alguém que se importe. E, na marra, eu sigo adiante. Porque o mundo não pára para contemplar a minha dor.

Àquela altura, já existia uma música. Uma música totalmente pronta e gravada. Eu nem imaginava. Meu marido a guardara em segredo para me presentear quando conseguíssemos escutar com clareza as batidas do coração daquele nosso bebê, o que jamais viria a acontecer.

Alguns dias depois de todo o ocorrido, ele comentou comigo que havia feito uma música para mim, mas que a guardaria para um momento futuro. Concordei. E desde então não tocamos mais no assunto. Eu guardei os poucos itens da minha curta gravidez em uma caixinha e a escondi debaixo da cama, para não olhar mais para ela. Eu achei que ele também tinha trancado a música, guardado para resgatar apenas quando toda aquela amarga lembrança tivesse passado por completo.

Mas não foi assim. Meses depois, ele me contaria que cantava e tocava com frequência a música que ele tinha feito, escondido de mim, quando eu não estava em casa, para não esquecer. E foi apenas dois anos depois, quando finalmente escutamos pela primeira vez os batimentos nítidos e acelerados do coração de nosso novo bebê, que ele me apresentou a música.

Até então, eu achava que a música tinha nascido lá atrás mas tinha mudado, passado por adaptações, e o que eu estava escutando pela primeira vez era uma versão nova, recente. E foi apenas quando ele me mostrou a gravação, que eu soube da existência de um arquivo original, datado de agosto de 2015 e salvo em suas pastas pessoais.

Foi só aí que caiu a ficha, que me dei conta de tudo. Que percebi que durante dois anos ele cultivou secretamente uma trilha sonora perdida no vazio, aguardando um enredo real que lhe servisse, a música da nossa gravidez. Que quando ele cantava que “a melhor notícia do mundo é que vou ser pai”, ele cultivava o sonho, a esperança e a certeza de que esse momento chegaria. Que a gestação dele durou dois anos, até que a minha chegasse.

A música, que já é suficientemente linda por si só, ganha um brilho ainda mais especial quando inserida em seu contexto. A você, Jader, meu amor, muito obrigada por transformar a história mais triste que já vivi em uma linda história de amor. Você tem o dom de trazer doçura mesmo às frases mais amargas da nossa vida. Eu também te amo mais.

Link da música:

Facebook:

Youtube:

https://youtu.be/4S3B1eN-g9M

Reflexões sobre a vida

Balanço dos 30

30 anos_sala de sonhos

Eu achava que aos 30 já seria mãe. Que ocuparia talvez uma posição gerencial, teria um salário maior, teria uma babá pra ajudar a cuidar das crianças. Achava que continuaria morando em São Paulo, ou até Nova Iorque, quem sabe.

Sempre achei uma bobagem quem dizia que estava ficando velho quando chegava aos 30. Assim como sempre achei bobagem discutir como o ano passou rápido, ora, o tempo passa na mesma velocidade sempre, nem pra mais e nem pra menos. E quando menos esperava aqui estou eu, ficando velha e impressionada como o tempo passou rápido.

Aos 30 já não sou mais a mais nova da turma, nem da equipe. Não ocupo mais aquela posição confortável da falta de experiência que nos dá a desculpa para todos os nossos erros bobos. Não posso errar tanto, não posso mais dizer qualquer coisa, não posso mais usar qualquer roupa. Não posso simplesmente sorrir e acenar e achar que as pessoas vão dar um desconto por que sou novinha mesmo. Os 30 exigem um pouco mais, mais firmeza, mais postura, mais cara de conteúdo, mais ar de segurança.

Aos 30 já perdemos alguém querido, já tivemos que lidar com a morte, já tivemos que entrar e olhar o corpo e não ficar apenas do lado de fora achando que aquilo era para os mais velhos. Já enfrentamos alagamentos horríveis, já fomos roubados, já tivemos que procurar sozinhos algum lugar de noite, já nos perdemos por aí, já batemos o carro estupidamente, já perdemos um voo, já sentimos medo de verdade. Já tivemos medo de sermos demitidos, ou já pedimos demissão. Já tivemos que nos despedir de pessoas que amávamos e isso calejou um pouco nosso coração e nos fez sermos mais fechados do que já fomos.

Quando conversamos com aquelas pessoas mais novinhas e com “todo o futuro pela frente”, também é legal a sensação de nos sentirmos mais “vividos”. Sentimos que já vivemos um bocado de coisas, de experiências, de erros que vamos tentar não repetir, de coisas que poderíamos ter feito diferente. Já temos até nosso arsenal preparado de conselhos para dar a quem quiser ou não os ouvir.

Achava que com o tempo ficaria mais corajosa, e não menos. Achava que seria menos viciada em chocolate, que não gostaria mais de Sandy, que não choraria com tanta facilidade, e o erro mais brutal, que seria menos ansiosa. É verdade que a gente vai se conhecendo mais, mas também vai mudando mais e às vezes tem a nítida sensação de não ter a menor ideia do que está sentindo. A gente para e repensa a vida e se pergunta se era aqui mesmo que a gente queria ter chegado.

É inevitável fazermos uma retrospectiva mental para tentar listar os ganhos. Aos 30 conhecemos pessoas muito mais novas que nós que fizeram sucesso, estão na TV, tiveram uma sacada empreendedora, abriram uma franquia, se mudaram para o Canadá e tantas outras conquistas tão mais incríveis e emocionantes que as nossas. E a gente repassa na cabeça o currículo, as linhas de declaração do imposto de renda, as viagens que fizemos, as pessoas legais que conhecemos, os familiares que amamos e, bom, é isso aí, essa é a nossa vida. A grama do vizinho está lá verdinha e é impossível não fazer comparações.

Engraçado que a gente sempre tenta resgatar o que ficou faltando. Não aprendi a cozinhar feijão, não fiz um intercâmbio, não sou tão fluente em inglês quanto gostaria. Vasculho até nas coisas que nunca me interessaram para ver se não deixei pra trás algo relevante, talvez um piercing no nariz, uma fase baladeira, um pôster de uma boyband no armário.

A gente lista também o que falta fazer e dá uma sensação de que não há mais tempo, pois parece que muitas coisas cabem só na juventude. É possível ainda ir morar na Austrália? Fazer um MBA nos Estados Unidos? Abrir um negócio e trabalhar para si mesmo? Fazer uma tatuagem? Ser um youtuber? Fazer uma festa a fantasia?

Ao mesmo tempo, quando penso que um novo ser se desenvolve dentro de mim, sinto que apesar de tudo o que já vivi, a vida está apenas começando. Há tanto que ainda não sei, existe todo um amor que ainda não conheço e que vai inundar meu coração, existe toda uma vivência da qual nada soube nestes 30 anos e que está prestes a se tornar a maior parte da minha vida. Terei novos medos, novos prazeres, novas pequenas e grandes descobertas. Existe uma versão de mim que em breve me será apresentada, que começará do zero, será construída e então se tornará irreversível em mim.

Ao mesmo tempo que fecho um ciclo importante, começo outro, e que alegria e gratidão tenho em dar o primeiro passo para esta nova etapa! Mal posso esperar pelos próximos 30 anos!

Maternidade

Do lado de fora

Eu fico aqui, do lado de fora. Sem saber direito o que se passa aí dentro. Sem saber se está tudo bem, se você está crescendo, se seu coração está batendo como deveria. Eu fico aqui aguardando passivamente que tudo aconteça. Não posso fazer nada além de fazer nada.

Eu fico aqui, sentido as consequências. Atenta aos sintomas. Com explosões de tons de rosa e azul passando pela minha cabeça. Com tantas coisas para pensar que não sei nem no que penso primeiro. O enjoo é tanto que atrapalha meus pensamentos, só quero que essa fase inicial passe logo e leve consigo o enjoo, o risco e o medo.

Eu fico aqui, pedindo a Deus. Por você. Que você viva. Tudo o que mais desejo, com todas as minhas forças e do mais profundo de mim, é a vida. Esse milagre que é a vida, esse presente imerecido e incontrolável. O que mais quero é vê-lo viver. É sentir o seu corpinho quente nos meus braços. É ver seus olhinhos se abrirem para o mundo aqui de fora.

Eu já tenho tanto amor para te dar. Desde quando soube de você. Desde antes de saber de você. Desde quando comecei a te desejar, a pedir a Deus que me desse você. Eu já te amo com uma força incrível, mesmo você sendo tão pequenininho. Será que você já consegue sentir esse amor?

Eu fico aqui, olhando pela janela. Vendo as pessoas andando de um lado para o outro com tanta liberdade. Vendo o dia que passa até chegar a noite. Olhando para fora e para dentro. Esperando que meu corpo resolva por si só. Esperando que tudo fique bem. Esperando poder voltar a trabalhar, esperando poder voltar a sair, a caminhar, a andar despreocupadamente. Dias em que tudo o que posso fazer é esperar.

Relacionamento

Um quentinho para o coração 


Namore alguém de que você não goste de se despedir. Alguém que traga uma sensação boa quando você pensa nele em algum horário do dia. Namore alguém que te faça sentir mais feliz, mais disposto, mais vivo. Que traga um quentinho ao seu coração.

Namore alguém que goste de conversar, que diga mais sim do que não, que vá com você e ache a sua companhia mais relevante do que o programa em si. Namore alguém que não economize sorrisos, que goste de andar de mãos dadas, alguém que você goste da pele, do toque, do tato. Alguém em que você se encaixe direitinho em um abraço.

Namore alguém que te ame, mas não espere que outra pessoa possa preencher o amor próprio que lhe falta. Ame-se o suficiente e o necessário para não ser carente demais, nem ciumento demais, nem arrogante demais. Se você já se sente muito completo sozinho, talvez tenha que tirar um pouquinho de si para abrir espaço para seu par se deixar um pouco em você.

Talvez você tenha que ter uma elasticidade em seus projetos e sonhos para comportar os projetos e sonhos de um outro alguém. Recalcular a rota quantas vezes for preciso até que os dois caminhem na mesma direção.

Lembre-se de que você é uma parte boa da vida do seu namorado ou namorada. Ajude-o a ser melhor. Incentive seu par a cultivar suas amizades, pois você não as substituirá. Agregue-as como seus novos amigos. Incentive-o a cultivar seus hobbies, pois você também não os substituirá.

Se você já encontrou este alguém, namore para casar. Não caia naquele papo de que o bom mesmo é ter vários relacionamentos, experiências diferentes, não se prender a ninguém. Bobagem. Se você já encontrou a pessoa que você quer ter sempre ao seu lado, não a perca. Mesmo que você seja muito jovem. Mesmo que seja seu primeiro namorado ou namorada. Quando você for mais velho, vai perceber como é valioso dividir a vida por tantos anos com a pessoa que se ama.

Se você é casado, continue namorando. Nunca deixe seu namoro deixar de ser namoro. Não venha com essa conversa de que essa data é puramente comercial, não pense que é só para casais jovenzinhos, não deixe o romantismo morrer. Lembra daquela sensaçãozinha que você já teve no passado de querer tanto ter alguém para passar o Dia dos Namorados? Se hoje você tem, aproveite.

Reflexões sobre a vida

Quando as últimas velas se apagam



Algumas semanas antes

Minha vovozinha que tem 100 anos foi internada semana passada. Seu organismo não está mais conseguindo engolir, fazendo com que ela tenha que se alimentar por uma sonda. Escrevendo isso aos meus familiares, li o que havia escrito e me dei conta do quanto é triste. E chorei.

Chorei porque por mais saúde que a gente tenha, o corpo tem uma data de validade, e mesmo que não haja nenhum problema, uma hora ele para de funcionar.

Chorei porque ela vai morrer, porque meus outros familiares vão morrer também um dia e porque a perspectiva da morte dói quase tanto quanto a própria morte.

Chorei porque a vida consegue ser tão ingrata, que lutamos tanto para emagrecer, até que vem um câncer e nos rouba dez quilos em um mês, ou vem a idade e nos leva a capacidade de engolir.

Chorei porque a mortalidade não nos cabe, é uma roupa apertada diante do nosso anseio pela eternidade. Porque nenhuma hora parece ser a certa para a despedida.

Porque tentamos ser tanta coisa a vida toda, queremos tanto, corremos tanto, até que chega a hora que não conseguimos mais andar, nem lembrar, nem conversar, nem ser mais nada daquilo que nos caracterizava como nós mesmos. Tudo é vaidade.

Como no Curioso Caso de Benjamin Button, a idade avançada nos faz ser como bebês recém-nascidos, totalmente dependentes, gastando a maior parte da nossa vida de olhos fechados, dormindo, perdidos em sonhos que ofuscam a nitidez do nosso curto espaço de realidade. E então vamos encolhendo, diminuindo, regredindo e perdendo a forma, até desaparecer.

O que me consola é saber que logo do outro lado está o Pai, de braços estendidos a nos receber, alegre por termos enfim chegado. E que minha avó vai poder sorrir novamente aquele sorriso alegre e cheio de vida, e vai estar repleta de força e energia para adorar ao Jesus que ela tanto anseia encontrar.

28 de abril de 2017

Chorei, porque é impossível não chorar diante da morte de quem se ama.

É triste, mas ao mesmo tempo feliz, pensar no encontro de uma pessoa com Deus. Lembro-me de tantas e tantas vezes que, sozinha com a vovó, conversávamos sobre como seria o céu. Como deve ser conseguir andar, e falar, e sorrir, e se maravilhar no paraíso, após anos de locomoção limitada e vida social restrita?

Os meses e anos se passavam e Deus prolongava a estadia dela aqui na Terra, e era tão bom poder visitá-la e sentir o calor da sua pele, passar os dedos em seus cabelos brancos, penteá-los, apoiar minha cabeça sobre seu colo e receber seu carinho.

Vovó me perguntava se eu me nunca esqueceria dela. Claro que nunca vou te esquecer, vovó. Carregarei para sempre seu nome em meu nome e sua lembrança em minhas memórias e em meu coração.

Sua história se encerra de uma forma bonita e serena. É feliz pensar em tudo o que vivemos juntas, todos os momentos que pude aproveitar ao seu lado. Descanse em paz, vovó. Nos encontraremos no céu um dia.